Mas é também inegável que o tratamento de novos temas por aqueles cujo posto é elevado no mundo científico passa demasiadas vezes sem contestação, quando é passível de censura. A cautela gerada por um hábito fixo de pesquisa experimental, o avanço titubeante de opinião em opinião, o peso concedido às autoridades reconhecidas — tudo fomenta um conservadorismo de pensamento que naturalmente desemboca no dogmatismo. O preço do progresso científico é demasiadas vezes o martírio ou o ostracismo do inovador. O reformador do laboratório deve, por assim dizer, tomar a cidadela do costume e do preconceito à ponta de baioneta. É raro que mesmo uma porta secundária seja deixada entreaberta por mão amiga. Os protestos ruidosos e as críticas impertinentes das pequenas figuras da antecâmara da ciência, ele pode permitir-se ignorar; a hostilidade da outra classe é um perigo real que o inovador deve enfrentar e superar. O conhecimento cresce aceleradamente, mas o grande corpo de cientistas não merece o crédito. Em cada instância, eles fizeram o possível para naufragar a nova descoberta, juntamente com o descobridor. A palma cabe àquele que a conquistou por coragem individual, intuição e persistência. Poucas são as forças da natureza que, quando anunciadas pela primeira vez, não foram ridicularizadas e depois descartadas como absurdas e anticientíficas. Humilhando o orgulho daqueles que nada haviam descoberto, as justas reivindicações daqueles a quem foi negada audiência até que a negação já não fosse prudente, e então — ai da pobre humanidade egoísta! — esses mesmos descobridores tornaram-se demasiadas vezes os oponentes e opressores, por sua vez, de exploradores ainda mais recentes no domínio da lei natural! Assim, passo a passo, a humanidade se move dentro de seu círculo circunscrito de conhecimento, a ciência corrigindo constantemente seus erros e reajustando no dia seguinte as teorias errôneas do anterior.
O preço do progresso científico é demasiadas vezes o martírio ou o ostracismo do inovador. Poucas são as forças da natureza que, quando anunciadas pela primeira vez, não foram ridicularizadas e depois descartadas como absurdas e anticientíficas.
— Ísis Sem Véu Vol. 1 — H.P. Blavatsky
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